Globo teria pago propina por direitos de transmissão do futebol – Emissora nega

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Lance da partida entre Gremio e Botafogo pelas quartas de final da Libertadores 2017. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Delator do caso FIFA, afirma que emissora pagou propina para conseguir os direitos de televisionar partidas. Globo nega.

Delator no caso de corrupção da Fifa, o empresário argentino Alejandro Burzaco afirmou, durante depoimento em Nova York nesta terça (14/11), que a Globo pagou propina para adquirir direitos de transmissão de campeonatos de futebol. É a primeira vez que o maior conglomerado de mídia do Brasil é envolvido diretamente no escândalo, que se desenrola desde 2015.

Burzaco ainda não detalhou as acusações, pois o depoimento ainda está acontecendo. Em comunicado, a emissora negou as acusações e diz que “não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina”.

Investigações

Ex-presidente da produtora Torneos, também conhecida como TyC, Burzaco negociava com os canais de televisão os direitos de transmissão, tanto na Argentina como em outros países da América Latina.

O empresário está colaborando com a investigação, que é liderada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e pagou US$ 112 milhões de multa. Ele afirmou em seu depoimento à juíza Pamela K. Chen que a Torneos, junto com emissoras de TV, pagou propinas para assegurar direitos de transmissão. Além da Globo, o argentino citou ainda a Fox Sports e a mexicana Televisa, dentre as emissoras de televisão que teriam feito parte do esquema.

Segundo Burzaco, a Fox Sports pagou US$ 3,7 milhões pelos direitos de transmissão da Libertadores e da Sulamericana. No Brasil, o canal é dono dos direitos para transmitir a competição, que sublicencia para a Globosat, desde 2012, quando estreou por aqui.

Até agora, a principal empresa brasileira envolvida no escândalo da Fifa era a Traffic, empresa de mídia cujo dono, José Hawilla, também fechou acordo com as autoridades dos Estados Unidos. Ele concordou em pagar US$ 151 milhões a título de indenização.

Em sua delação, Hawilla acusou a cúpula da CBF,  incluindo o atual presidente, Marco Polo Del Nero, de receber propina em troca dos direitos de transmissão de campeonatos nacionais. O empresário, que é dono da TV Tem, afiliada da Globo no interior de São Paulo, não citou outras empresas de mídia em sua delação.

Ricardo Teixeira e José Maria Marin teriam recebido propina

Em seu depoimento, Burzaco disse que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira recebeu US$ 600 mil por ano, desde 2006, a título de propina dos contratos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sulamericana, torneios organizados pela Conmebol.

Segundo o empresário, Teixeira recebia os pagamentos em contas no Oriente Médio, na Ásia e em Andorra. Os pagamentos chegaram a ser viabilizados, segundo o argentino, pelo próprio Teixeira. “Nós tinhamos problemas constantes com bancos que não queriam enviar dinheiro a esses destinos exóticos”, disse Burzaco.

Outro ex-presidente da CBF, José Maria Marin, também foi acusado pelo argentino de receber propina. Ele está em prisão domiciliar em seu apartamento na Trump Tower, em Nova York, e é réu na mesma ação em que o argentino testemunhou — mas, ao contrário de Burzaco, o brasileiro nega ter recebido dinheiro ilegal.

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