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Metade dos trabalhadores brasileiros tem renda inferior ao salário mínimo, aponta IBGE

Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Renda abaixo do mínimo é possível entre trabalhadores informais e autônomos

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 50% dos trabalhadores brasileiros recebem por mês, em média, 15% menos que o salário mínimo.

O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 880. Dos 88,9 milhões de trabalhadores ocupados no ano, 44,4 milhões recebiam, em média, R$ 747 por mês.

A lei brasileira prevê um salário mínimo para os trabalhadores com carteira assinada. Mas o rendimento abaixo desse valor é possível entre a população com emprego informal e os trabalhadores autônomos, como vendedores ambulantes e donos de pequenos negócios.

Desigualdade

De acordo com a pesquisa, do total de trabalhadores, 4,4 milhões (5%) recebiam, em média, apenas R$ 73 mensais. Já 889 mil (1%) recebiam, em média, R$ 27 mil.

“Isso significa que aqueles com maiores rendimentos recebiam 360 vezes mais que os com menores rendimentos”, disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira. “O Brasil já é conhecido como um dos países com as piores desigualdades de rendimento do mundo. Essa pesquisa enfatiza ainda mais o quão desigual é o país”.

Em 2016, a média de rendimento médio mensal domiciliar per capita foi estimada em R$ 255,1 milhões. Deste valor, 43,4% estava concentrado nas mãos de 10% da população do país. Já a parcela dos 10% das pessoas com os menores rendimentos detinha apenas 0,8% da massa.

Sudeste concentra maiores rendas

A análise regional mostrou que a Região Sudeste concentrou R$ 132,7 bilhões da massa de rendimento do país, superior à soma das demais regiões. As regiões Sul (R$ 43,5 bilhões) e Nordeste (R$ 43,8 bilhões) produziram cerca de 1/3 da massa de rendimentos do Sudeste. Já as regiões Centro-Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,4 bilhões) produziram, respectivamente, 16,4% e 10,1% do Sudeste.

O rendimento médio real domiciliar per capita foi de R$ 1,2 mil por mês em 2016. Nas regiões Norte e Nordeste, a média foi de R$ 772. A maior média foi observada no Sudeste, com R$ 1,5 mil.

Para  Vieira, o levantamento enfatiza a necessidade do Brasil combater as desigualdades sociais e econômicas a fim de alavancar seu desenvolvimento.

“A gente sabe que país nenhum vai crescer sob uma base desigual”, destacou.

 

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