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Boletim Bitnews

Belém/Pa - N. 42

26/04/2006

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Sol Informática - Campanha por Amor a Belém 2005

 

   

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      CDI Pará

    

Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da Ufpa

  

Letrae Comunicação

 

   

A Terceirização da Vida

Alexandre Gonçalves
 

A sociedade hoje é vítima da bola de neve criada por ela mesma. Cada vez mais ficamos sem tempo para nada e, pior, sem dinheiro. Para conseguir dinheiro, precisamos de mais tempo trabalhando, e assim o tempo se torna o verdadeiro carrasco do mundo moderno. Para salvar-nos deste mal, confiamos nossas esperanças à "santa" tecnologia. Acreditamos que com os recursos tecnológicos ganharemos tempo e teremos como acompanhar o ritmo dessa bola de neve crescente.

 

Realmente, para quem não quer ser um monge budista, um eremita, ou existir fora da sociedade, a "Santa Tecnologia" é a luz no túnel. Na prática, o processo de inclusão tecnológica do ser humano será de adaptação até das mais inesperadas funções e atividades. No fim, o verbo "Ter" dará lugar fatalmente ao verbo "Alugar". Observemos os processos de terceirização das empresas: Terceirizar tudo! Nem suas máquinas as pertencem mais. Como acompanhar as mudanças rápidas da tecnologia se a cada novo lançamento é preciso se desfazer do que se tinha para adquirir o novo? Este é o caminho para a vida pessoal também. Quebrou? Mudou? Só mandar trocar na hora.

 

Falando em software e serviços, isto é mais fácil ainda. Uma mensalidade pequena para a companhia de software e você terá sempre a nova versão de seu programa original em sua máquina, e estará sempre conectado ao fabricante. Assim, chegaríamos ao fim da ilegalidade e seria possível para todos gastar muito menos, tendo assim muito mais mobilidade. Talvez possa parecer utopia hoje, mas nosso futuro é a terceirização da vida no máximo de aspectos possíveis. Esse processo é mais acelerado hoje em algumas vertentes tecnológicas, claro. O carro-chefe é sem dúvida a indústria da comunicação. Ela é o "coelho" nesta corrida, mas, na verdade, ela ajuda principalmente a formar o modelo da terceirização ideal.

 

Agora, o que poderíamos terceirizar fora comunicações?

 

Colocando gastos fixos na ponta do lápis, podemos chegar a várias respostas. O problema real no fim é quem pagaria por isso? Quem ficaria com o "prejuízo" de garantir o funcionamento permanente desse nosso mundo terceirizado? Será que as indústrias têm força suficiente para segurar as pontas? Ou será que o processo infinito de começar do zero com novas soluções seja o que as mantém de pé? Será que as "mensalidades" cobradas pelos serviços estariam fora da nossa realidade? será que as diferentes classes sociais suportariam esse modelo?

 

São perguntas que hoje não tem respostas conclusivas, um verdadeiro universo de novas questões que poderia nos deter em anos de pesquisa. Mas sentindo o caminho para onde as coisas estão indo, como um surfista em sua onda, não temos a clara sensação de que este mundo já tão descartável caminha para mais desprendimento? Talvez seja a grande solução para o retorno da grandeza humana, após um negro período de materialismo e desigualdades sociais, através da tecnologia, atingiremos enfim a unidade como seres humanos. Um mundo sem fronteiras, ao alcance de todos.

 

 

* Alexandre Gonçalves é diretor da Fenasoft (www.fenasoft.com.br), que terá sua próxima edição nos dias 10 e 11 de maio, em São Paulo, abordando o tema Software e serviços de T.I.