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Belém/Pa - N. 70

08/11/2006

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Software aberto e software proprietário: qual o impacto no mercado ?

 

José de Miranda Dias


A discussão sobre os prós e os contras do software aberto e software proprietário vem tomando espaço na mente dos empresários brasileiros há um certo tempo. Entretanto, geralmente, participam desses debates apenas os amantes de um ou outro tipo de programa, o que acaba por tirar a imparcialidade da discussão. Qualquer que seja sua classificação, um programa de computador apresenta benefícios e malefícios e cabe apenas às empresas decidir qual tipo atende melhor às suas necessidades.

Segundo a Lei do Software (9609/98) não há diferença entre o software aberto e proprietário, pois ambos atendem às especificações contidas na lei, que afirma: "programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza...". Do ponto de vista da comercialização também não existe distinção, uma vez que ambos atendem à definição legal que diz que "o uso de programa de computador no país será objeto de contrato de licença". Sendo assim, a diferença fundamental está na forma como se faz o licenciamento, ou seja, na postura comercial com que as empresas encaram o mercado.

Até mesmo as informações disponíveis no mercado são contraditórias. Especialistas se confundem com tantos prós e contras. De um lado, a economia para aquisição dos programas e a performance que pode ser obtida nas máquinas mais antigas, como 486 ou Pentium 2, e do outro a questão da segurança, por ser um sistema baseado em código aberto o acesso às informações é facilitado. Entre os benefícios, o suporte é considerado mais barato, entretanto a falta de padronização pode complicar a vida de algumas empresas, pois as possíveis variações locais podem gerar pontos de vulnerabilidade no sistema. O mercado se vê atraído pela liberdade para utilizar, copiar, modificar e redistribuir os programas, mas se sente retraído por restrições como a questão da propriedade intelectual, pois empresas investem em pesquisa e desenvolvimento de itens compatíveis com esse sistema e todo o investimento é aproveitado por outras companhias que fazem alterações superficiais e lançam rapidamente novas versões de seus produtos.

Usualmente, o ponto mais reforçado nesta discussão é a economia que o "software livre" pode representar. Mas, nem sempre o que é mais barato pode ser a melhor escolha para uma organização. A opção por um tipo de software deve considerar não só o custo, mas, principalmente, a adequação do sistema, documentação, manutenção e treinamento, segurança, estabilidade e interoperabilidade dos sistemas, entre outros.

Muitas companhias estão destinando parcela significativa de seus investimentos no desenvolvimento de soluções baseadas em sistemas abertos, o que demonstra que esta tecnologia está ganhando cada vez mais espaço, transformando-se numa realidade. O ponto fundamental é não engessar o mercado, deixando as empresas livres para desenvolver seu produto em qualquer plataforma, de acordo com a melhor análise de custo/benefício.

É importante frisar que a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) é totalmente favorável ao desenvolvimento, distribuição e uso de sistemas abertos, como mais uma opção tecnológica disponível no mercado. Por outro lado, a entidade apóia e sempre apoiou o conceito da livre concorrência e dentro dessa visão a associação se posiciona contra qualquer tipo de reserva de mercado ou mecanismo que impeça a disputa leal entre empresas legalmente estabelecidas no país.

 

 

* José de Miranda Dias é Presidente do Conselho Deliberativo da Abes - Associação Brasileira das Empresas de Software.
 

      

 

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