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Boletim Bitnews

Belém/Pa - N. 103

27/06/2007

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Microsiga Belém

 

   

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Combate à Pirataria: é preciso educar

 

Márcio Gonçalves
 

 

O esforço do governo e da iniciativa privada no Brasil para combater a pirataria recebeu um reconhecimento importante em maio, quando o governo dos Estados Unidos anunciou que iria retirar o país da lista dos Países que não têm políticas de defesa da propriedade intelectual. Foi um reconhecimento em razão do crescente número de apreensões de produtos falsificados, de batidas policiais e de outras atividades de repressão por todo o país. Apesar dessa postura ativa das autoridades, DVDs e CDs piratas estão ainda por toda parte nas cidades brasileiras, vendidos a céu aberto e sem disfarce. Quais os limites para a eficácia da repressão policial no combate à pirataria?

 

O avanço mais claro obtido com as ações policiais foi o de sinalizar para a sociedade que a pirataria não é um pequeno desvio tolerado pelas autoridades – é um crime, e quem o comete é tratado como criminoso. Mas isso não basta para vencer a batalha principal: pelos corações e mentes dos consumidores. A pirataria só existe quando há consumidores que pagam por produtos ilegais.

 

O caminho mais efetivo para esvaziar essa economia subterrânea está na formação das crianças. O consumidor de produto pirata compra movido por um misto de razões que vão da falta de consciência sobre o valor da propriedade intelectual, até a crença de que a pirataria é um crime menor, que vitima apenas empresas multinacionais. É uma questão de valores.

 

Crianças educadas na era da informação terão que lidar com questões éticas que não foram abordadas na formação dos adultos de hoje – simplesmente porque o mundo era diferente e a pirataria não ia além de alguns poucos discos de vinil impressos por algum fã em um fundo de quintal. Informação e propriedade intelectual são a base da economia da informação. Defendê-los é viabilizar investimentos e criar empregos.

 

Nesse ambiente, respeito ao trabalho e à propriedade intelectual são uma questão, basicamente, de formação da cidadania. Ensiná-los às crianças toma tempo e só produzirá algum retorno visível no médio e longo prazos, quando estas crianças se tornarem consumidores. Até lá, muitos modelos de negócios poderão ter desaparecido em razão dos efeitos da pirataria. Mas, no mínimo, uma ação continuada de educação criará uma juventude mais consciente. Cidadania começa por pequenos gestos de educação.
 

 
Márcio Gonçalves

 

* Márcio Gonçalves - Diretor Antipirataria para América Latina da Motion Picture Association

 

 
 

      

 

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