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Boletim Bitnews Belém/Pa - N. 104 04/07/2007 |
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Inclusão digital como instrumento de inclusão social
Dra. Marianne Kogut Eliasquevici
A emergência de sociedades da informação é um dos fenômenos mais promissores do século XXI. Enfatizar sociedades no plural implica reconhecer que são várias sociedades da informação que estão sendo gestadas em nível mundial. O que pode ter uma conotação positiva sobre como cada país pretende gerir sua sociedade demonstra também a fragilidade daqueles que ainda não conseguiram se inserir neste processo, tendendo a se transformar "numa versão mais sinistra do hiato de renda que separava e continua separando os países industrializados dos [...] em desenvolvimento" (ROUANET, 2002).
Percebe-se, assim, quão relevante é o tema "inclusão digital", uma vez que o acesso eqüitativo às tecnologias de informação e comunicação (TICs) é visto hoje como condição para uma efetiva inclusão social, não podendo ser tratado em separado de outras manifestações da exclusão social. Trata-se de mais uma conseqüência das diferenças já existentes na distribuição de poder e de renda.
Mais do que somente acessar, é preciso saber como e o que acessar. Apenas possuir máquina com acesso à Internet não gera desenvolvimento humano. Qualquer tecnologia deve ser inserida em um contexto maior de desenvolvimento de competências pessoais, relacionais, produtivas e cognitivas. Este é o papel fundamental da educação de hoje. Portanto, combater a exclusão digital pressupõe, também, enfrentar a exclusão escolar.
Estar inserido digitalmente passa a ser uma condição fundamental para a existência de cidadãos plenos na interação com esse mundo da informação e da comunicação. Entretanto, o Brasil está longe desta situação visto que, em 2005 apenas 21% da população eram usuários de internet, com o número médio de anos de estudo de 10,7 e renda mensal per capita de R$ 1.000.
A escola, que deveria ser um dos canais mais apropriados de inclusão digital, não consegue dar conta de tamanha responsabilidade, conforme demonstra o estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o qual afirma que ficamos em penúltimo lugar na quantidade de computadores por alunos entre os países avaliados. Diante deste cenário, organizações não governamentais, principalmente, vêm procurando atenuar esta realidade criando mecanismos de promoção da cidadania, por meio da inclusão digital. Essa preocupação tem sido alvo também das instituições de ensino superior, a exemplo da Universidade Federal do Pará, onde existem dois projetos oriundos do Curso de Bacharelado em Sistemas de Informação e do Departamento de Informática, nos quais a autora colabora.
O primeiro, coordenado pelo Prof. Msc. Arnaldo Prado Junior, tem por objetivo a implantação de uma nova versão do "Portal da Amazônia: caminhando entre o rio e a floresta", que prevê a elaboração de dois módulos (janelas), um para inclusão digital e outro para educação a distância, levando-se em conta que o próprio portal como um sistema de informação contribui para a disseminação democrática do conhecimento. O módulo relativo à inclusão digital, com o suporte da janela de EAD, tem por objetivo criar um espaço permanente de discussão e promoção de ações de inclusão digital no âmbito da UFPA e da região amazônica, por meio da disponibilização de informações sobre exercício da cidadania, da oferta de cursos e materiais diversos, contando com a contribuição efetiva de comunidades que tenham acesso ao portal.
O segundo é um projeto de extensão coordenado pelo Prof. Jorge Garcia Filgueiras, que tem por objetivo a implantação de centros comunitários de inclusão digital em comunidades do interior do Pará.
Sabe-se que muito ainda precisa ser feito para diminuir as barreiras
que impedem a inclusão digital. As potencialidades que as novas TICs oferecem não deveriam ser encobertas pela ausência de mecanismos que
garantam um acesso mais equânime às novas tecnologias.
* Dra. Marianne Kogut Eliasquevici
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