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Perfil
Nome:
Maurílio de Abreu Monteiro
Idade: 41 anos
Naturalidade: Sete Lagoas – MG
Formação: Graduado em História pela Universidade Federal
do Pará, com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento e doutorado em
Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, ambos pelo Núcleo de Altos
Estudos Amazônicos-Naea, da UFPA.
Profissão: Professor da UFPa; secretário de Estado de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia
Time Futebol: Clube do Remo
Bitnews
Apóia:

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Maurílio de Abreu
Monteiro
Secretário de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado
Maurílio Monteiro, Secretário de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará, concedeu entrevista ao
Boletim
Bitnews acerca das ações da nova
secretaria, seus rumos e ações. Confira abaixo.

Maurílio
Monteiro, Secretario de Desenvolvimento,
Ciência
e Tecnologia do Pará
Bitnews -
Qual o objetivo da nova secretaria e em quais áreas ela irá atuar?
Maurílio Monteiro
-
A secretaria é a principal instituição do governo do Estado na
implementação do novo modelo de desenvolvimento proposto pela
governadora Ana Júlia Carepa (PT). Historicamente, os modelos tentados
para desenvolver a Amazônia sempre se pautaram pelo uso de grandes
extensões de terra para culturas homogêneas: plantação de pínus ou
eucalipto para produzir celulose, grãos, pecuária de corte. Com isso, se
adaptavam, aqui, técnicas desenvolvidas na relação com outras culturas,
outro meio ambiente. E negava a diversidade biológica da Amazônia, além
do capital social e cultural, obviamente formado na relação com o nosso
meio.
O novo modelo de desenvolvimento pretende tirar o Pará da condição de
exportador de matéria-prima, agregando valor de ciência, tecnologia e
inovação aos produtos e processos. Em vez de exportar o óleo de
determinada árvore, produzir o perfume ou o medicamento; em vez de
exportar a polpa do açaí, fazer sorvete, pó, geléia etc.
Em última instância, o Pará pretende implantar a base, criar as
condições, para o desenvolvimento de um sistema regional de inovação.
(Não é à toa que se juntaram as palavras desenvolvimento, ciência e
tecnologia no nome da secretaria, que antes era Desenvolvimento,
Comércio e Mineração: a criação da nova secretaria já foi aprovada pela
assembléia.)
Bitnews -
Há alguma previsão orçamentária definida ou em definição para a nova
secretaria?
Maurílio
Monteiro -
A secretaria não tem um orçamento específico. Os projetos
desenvolvidos é que necessariamente terão custos, mas específicos, de
acordo com cada um.
Bitnews -
Haverá investimentos na infra-estrutura de tecnologia do Estado?
Maurílio
Monteiro -
Estes investimentos já começaram, e de forma poderosa. Eis alguns: a
criação, já aprovada pela Assembléia Legislativa e que será sancionada
pela governadora a qualquer momento, da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Pará - Fapespa. (Ela terá 1% da receita líquida do Estado – em torno de
R$ 60 milhões/ano) para estimular a pesquisa no Estado; a implantação,
no oeste e sul do Estado, de mais duas universidades federais, já
reivindicadas pela governadora ao presidente Lula, com amplas chances de
concretização em breve; a construção de três centros de ciência e
tecnologia (em Belém, em Santarém e em Marabá, focados na vocação
econômica e nas necessidades de cada região, como tecnologias de madeira
e pesca. Vale lembrar que o centro de tecnologia do Guamá, em Belém, é
um projeto de Universidade Federal do Pará encampado pelo governo do
Estado no que tem de mais caro, a infra-estrutura urbana: o parque
custará R$ 42 milhões, e o governo já pediu empréstimo ao BNDES para a
concretização: 30 milhões do banco, e 12 milhões com recursos próprios.
Como garantia, empenhou recursos do Fundo de Participação dos Estados.
Ou seja: o primeiro endividamento do governo Ana Júlia será com um
centro de ciência e tecnologia). Também integram este projeto a
recriação do Instituto de Estudos Socioeconômicos e Ambientais, Idesp,
que vai produzir e analisar os principais dados do Estado, para uso do
próprio governo e pela comunidade acadêmica e sociedade; e medidas mais
políticas, como políticas de incentivos e inovação às empresas, tanto
multinacionais, como micro e pequenas.
Além disso, o novo governo já praticamente dobrou a contrapartida
financeira para a concessão de bolsas e projetos de pesquisa, em
cooperação com o CNPQ, e reivindicou junto ao Ministério da Educação 200
doutores a mais do que o previsto para o Pará este ano.
Enfim, já foram dados enormes passos no sentido de concretizar o novo
modelo de desenvolvimento. A governadora, claro, tem consciência de que
os benefícios da ciência não são a curto prazo, e a meta é criar, em
quatro anos, as condições para que este projeto caminhe com as próprias
pernas, ganhe autonomia.
Bitnews -
Ações de inclusão digital são importantes para esta administração ?
Maurílio
Monteiro -
São fundamentais e centrais. Neste sentido, dois projetos se
destacam. Primeiro, o governo do Estado firmou convênio para usar a rede
de fibra ótica da Eletronorte (são 1.500 km de rede: dentro de toda a
fiação de transmissão da Eletronorte há fibra ótica). O convênio vai
levar internet de alta velocidade a mais de 10 municípios do interior do
Pará, beneficiando cerca de 4 milhões de pessoas, incluindo Belém. O
projeto vai permitir a construção de infocentros públicos (já foram
inaugurados em Santarém e Marabá será o próximo município, provavelmente
neste mês de agosto), além de permitir a integração de órgãos públicos,
prefeituras, hospitais, que funcionarão de forma interligada e poderão
oferecer novos serviços aos cidadãos. O outro convênio foi entre governo
do Estado e Rede Nacional de Pesquisa-RNP. A RNP, administrada no Pará
pela Universidade Federal do Pará, tem um rede de fibra ótica, a
Metrobel, que interliga onze instituições de ensino e pesquisa, como a
própria Ufpa, a Unama e Embrapa. Pelo convênio, o governo do Estado vai
interligar vários órgãos da administração pública, melhorando os
serviços e oferecendo novos. O primeiro órgão a ser ligado foi o Hangar
do Estado, por conta do Congresso da SBPC (Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência). Os próximos serão (ainda em agosto) Corpo de
Bombeiros, Comando Geral da Polícia Militar, Instituto de Meteorologia
do Estado do Pará, Secretaria de Estado de Obras Públicas, Secretaria de
Estado da Saúde (almoxarifado, na José Bonifácio), Centro Integrado de
Governo, Hospital de Clínicas Gaspar Viana, Escola de Governo do Pará;
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Secretaria de Estado de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. A Amazônia é a região mais
excluída digitalmente do Brasil, e o governo fará tudo para dirimir essa
condição.
Bitnews -
O que o setor de Tecnologia deve esperar da nova secretaria e do
Secretário?
Maurílio
Monteiro -
As respostas acima já confirmam que o projeto do governo não é um
sonho ou demagogia, e sim está sendo construído com medidas práticas e
focadas. Posso garantir que nunca, na história do Pará, tanta
preocupação com a ciência, a tecnologia e a inovação, e nunca outro
governo tem nesse tripé a base da política de desenvolvimento e outras.
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