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Boletim Bitnews

Belém/Pa - N. 108

01/08/2007

Bitnews - Boletim Digital de TI

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Microsiga Belém

 

 

Perfil

 

Nome: Maurílio de Abreu Monteiro
Idade: 
41 anos
Naturalidade: 
Sete Lagoas – MG
Formação:
Graduado em História pela Universidade Federal do Pará, com mestrado em Planejamento do Desenvolvimento e doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido, ambos pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-Naea, da UFPA.
Profissão: 
Professor da UFPa; secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia
Time Futebol: Clube do Remo

   

    

   

Bitnews Apóia:

      CDI Pará

    

Letrae Comunicação

 

 

Maurílio de Abreu Monteiro

Secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Estado
 

Maurílio Monteiro, Secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Pará, concedeu entrevista ao Boletim Bitnews acerca das ações da nova secretaria, seus rumos e ações. Confira abaixo.
 

  
Maurilio Monteiro - SEDECT

Maurílio Monteiro, Secretario de Desenvolvimento,

Ciência e Tecnologia do Pará

 

 

Bitnews - Qual o objetivo da nova secretaria e em quais áreas ela irá atuar?
Maurílio Monteiro - A secretaria é a principal instituição do governo do Estado na implementação do novo modelo de desenvolvimento proposto pela governadora Ana Júlia Carepa (PT). Historicamente, os modelos tentados para desenvolver a Amazônia sempre se pautaram pelo uso de grandes extensões de terra para culturas homogêneas: plantação de pínus ou eucalipto para produzir celulose, grãos, pecuária de corte. Com isso, se adaptavam, aqui, técnicas desenvolvidas na relação com outras culturas, outro meio ambiente. E negava a diversidade biológica da Amazônia, além do capital social e cultural, obviamente formado na relação com o nosso meio. O novo modelo de desenvolvimento pretende tirar o Pará da condição de exportador de matéria-prima, agregando valor de ciência, tecnologia e inovação aos produtos e processos. Em vez de exportar o óleo de determinada árvore, produzir o perfume ou o medicamento; em vez de exportar a polpa do açaí, fazer sorvete, pó, geléia etc.
Em última instância, o Pará pretende implantar a base, criar as condições, para o desenvolvimento de um sistema regional de inovação. (Não é à toa que se juntaram as palavras desenvolvimento, ciência e tecnologia no nome da secretaria, que antes era Desenvolvimento, Comércio e Mineração: a criação da nova secretaria já foi aprovada pela assembléia.)
  
Bitnews - Há alguma previsão orçamentária definida ou em definição para a nova secretaria?
Maurílio Monteiro - A secretaria não tem um orçamento específico. Os projetos desenvolvidos é que necessariamente terão custos, mas específicos, de acordo com cada um.
  
Bitnews - Haverá investimentos na infra-estrutura de tecnologia do Estado?
Maurílio Monteiro - Estes investimentos já começaram, e de forma poderosa. Eis alguns: a criação, já aprovada pela Assembléia Legislativa e que será sancionada pela governadora a qualquer momento, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Pará - Fapespa. (Ela terá 1% da receita líquida do Estado – em torno de R$ 60 milhões/ano) para estimular a pesquisa no Estado; a implantação, no oeste e sul do Estado, de mais duas universidades federais, já reivindicadas pela governadora ao presidente Lula, com amplas chances de concretização em breve; a construção de três centros de ciência e tecnologia (em Belém, em Santarém e em Marabá, focados na vocação econômica e nas necessidades de cada região, como tecnologias de madeira e pesca. Vale lembrar que o centro de tecnologia do Guamá, em Belém, é um projeto de Universidade Federal do Pará encampado pelo governo do Estado no que tem de mais caro, a infra-estrutura urbana: o parque custará R$ 42 milhões, e o governo já pediu empréstimo ao BNDES para a concretização: 30 milhões do banco, e 12 milhões com recursos próprios. Como garantia, empenhou recursos do Fundo de Participação dos Estados. Ou seja: o primeiro endividamento do governo Ana Júlia será com um centro de ciência e tecnologia). Também integram este projeto a recriação do Instituto de Estudos Socioeconômicos e Ambientais, Idesp, que vai produzir e analisar os principais dados do Estado, para uso do próprio governo e pela comunidade acadêmica e sociedade; e medidas mais políticas, como políticas de incentivos e inovação às empresas, tanto multinacionais, como micro e pequenas.
Além disso, o novo governo já praticamente dobrou a contrapartida financeira para a concessão de bolsas e projetos de pesquisa, em cooperação com o CNPQ, e reivindicou junto ao Ministério da Educação 200 doutores a mais do que o previsto para o Pará este ano.
Enfim, já foram dados enormes passos no sentido de concretizar o novo modelo de desenvolvimento. A governadora, claro, tem consciência de que os benefícios da ciência não são a curto prazo, e a meta é criar, em quatro anos, as condições para que este projeto caminhe com as próprias pernas, ganhe autonomia.
  
Bitnews - Ações de inclusão digital são importantes para esta administração ?
Maurílio Monteiro - São fundamentais e centrais. Neste sentido, dois projetos se destacam. Primeiro, o governo do Estado firmou convênio para usar a rede de fibra ótica da Eletronorte (são 1.500 km de rede: dentro de toda a fiação de transmissão da Eletronorte há fibra ótica). O convênio vai levar internet de alta velocidade a mais de 10 municípios do interior do Pará, beneficiando cerca de 4 milhões de pessoas, incluindo Belém. O projeto vai permitir a construção de infocentros públicos (já foram inaugurados em Santarém e Marabá será o próximo município, provavelmente neste mês de agosto), além de permitir a integração de órgãos públicos, prefeituras, hospitais, que funcionarão de forma interligada e poderão oferecer novos serviços aos cidadãos. O outro convênio foi entre governo do Estado e Rede Nacional de Pesquisa-RNP. A RNP, administrada no Pará pela Universidade Federal do Pará, tem um rede de fibra ótica, a Metrobel, que interliga onze instituições de ensino e pesquisa, como a própria Ufpa, a Unama e Embrapa. Pelo convênio, o governo do Estado vai interligar vários órgãos da administração pública, melhorando os serviços e oferecendo novos. O primeiro órgão a ser ligado foi o Hangar do Estado, por conta do Congresso da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Os próximos serão (ainda em agosto) Corpo de Bombeiros, Comando Geral da Polícia Militar, Instituto de Meteorologia do Estado do Pará, Secretaria de Estado de Obras Públicas, Secretaria de Estado da Saúde (almoxarifado, na José Bonifácio), Centro Integrado de Governo, Hospital de Clínicas Gaspar Viana, Escola de Governo do Pará; Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. A Amazônia é a região mais excluída digitalmente do Brasil, e o governo fará tudo para dirimir essa condição.
  
Bitnews - O que o setor de Tecnologia deve esperar da nova secretaria e do Secretário?
Maurílio Monteiro - As respostas acima já confirmam que o projeto do governo não é um sonho ou demagogia, e sim está sendo construído com medidas práticas e focadas. Posso garantir que nunca, na história do Pará, tanta preocupação com a ciência, a tecnologia e a inovação, e nunca outro governo tem nesse tripé a base da política de desenvolvimento e outras.
 

 

         

 

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