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Prefeito do Rio, Marcello Crivella veta exposição ‘Queermuseu’

Cruzando Jesus Cristo Deusa Schiva, de Fernando Baril/ Divulgação

Prefeito barrou negociações do Museu de Arte do Rio para trazer a mostra à cidade

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, prometeu neste domingo que não iria permitir a chegada da exposição Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira à cidade. O Museu de Arte do Rio (MAR), que procurava um acordo com o curador da mostra, cedeu a pressão do prefeito e encerrou as negociações para trazer a exposição aos cariocas.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito, que também é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, pergunta a cinco pessoas se querem uma “exposição de pedofilia e zoofilia”. Todas respondem negativamente. Em tom de deboche, Crivella afirma: “Saiu no jornal que vai ser no MAR. Só se for no fundo do mar”.

Após o anúncio, segundo o jornal O Globo, o prefeito encomendou à secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, neta de Cartola, que estudasse como impedir a exposição. “A população do Rio de Janeiro não tem o menor interesse em exposições que promovam zoofilia e pedofilia”, disse Crivella em declarações recolhidas pelo jornal. Questionado como a Prefeitura teria poder de vetar a mostra, ele respondeu: “O povo do Rio de Janeiro tem”.

No post, Crivella faz referência a performance do coreógrafo Wagner Schwartz, que ficou nu em apresentação única no 35º Panorama de arte Brasileira. O episódio causou polêmica porque uma mãe levou a filha para assistir a performance e está tocou a mão do artista. No entanto, o fato ocorreu no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e não tem relação com a Queermuseu. Militantes conservadores protestaram de forma agressiva em frente ao museu e há até um abaixo-assinado circulando na internet, que pede o seu fechamento.

A exposição Queermuseu, foi promovida e, depois, suspendida, pelo Santander Cultural de Porto Alegre, em 10 de setembro, por conta de uma avalanche de protestos após ser acusada de incentivar a pedofilia, zoofilia e o desrespeito de símbolos religiosos. Apesar da polêmica, o Ministério Público Federal concluiu que não havia qualquer indício de apologia à pedofilia nas obras e recomendou a reabertura da mostra. Seu encerramento, argumentou o MPF, prejudicaria a liberdade de expressão artística. Mas o banco, ameaçado de boicote pelos militantes conservadores, contrariou a recomendação.

Nesta terça-feira (03/10) o conselho do MAR, embora tenha alegado defender os “princípios da liberdade de expressão e das manifestações artísticas”, cedeu à vontade de Crivella.

“Diante do exposto, lamentamos o modo como este debate tem sido inflamado por intensas polêmicas, que levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro, por ser este um museu de sua rede municipal de equipamentos culturais, a solicitar a não realização de Queermuseu”, disse a nota do museu.

O MAR era favorável à realização da exposição atendendo “a cuidados éticos e jurídicos” definidos por lei e estabelecendo para isso uma classificação indicativa de idade, sinalização com orientações sobre o teor das obras expostas e permanente mediação junto ao visitante.

O MAR é um equipamento cultural municipal, mas funciona em parceria com a iniciativa privada. O empreendimento é um projeto da Fundação Roberto Marinho, do Grupo Globo, e é gerido por uma Organização Social, o Instituto Odeon. Seu principal patrocinador hoje é a Prefeitura. O Conselho conta com nove membros, dos quais apenas dois são representantes municipais: a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, e o subsecretário de Cultura e presidente da Fundação Cidade das Artes, André Marini.

Conforme a Secretaria de Cultura divulgou na segunda-feira, o conselho do MAR se reuniu para discutir aspectos técnicos, financeiros e jurídicos de se trazer a exposição à cidade:

“Diante dos episódios motivados por discursos de ódio e atos de violência, como os que ocorreram no último fim de semana [em referência às agressões na porta do MAM-SP], a segurança apresentou-se como fator prioritário nesta discussão”.

Nesta terça-feira, no entanto, o tom foi outro. A Secretaria esclareceu que o do museu “não é um conselho deliberativo e, como tal, não possui poder de veto ante decisões do Executivo Municipal, que já se posicionou claramente pela não realização de Queermuseu”.

Emissor de CT 1 Vaga – Ribeirão Preto – SP

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