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Projeto que dá prioridade para igrejas em processos na Justiça pode ser votado hoje

Foto: Flickr

Proposta apelidada de ‘Igreja Fura Fila’ seria votada em agosto, mas foi retirada de pauta após polêmica

Um projeto de lei que dará prioridade às igrejas na fila de processos da Justiça do Rio de Janeiro pode ser aprovado de forma definitiva pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) nesta terça-feira (17/10).

Na internet, o projeto foi apelidado de “Igreja Fura Fila” e recebeu quase 10 mil assinaturas contra sua aprovação em abaixo-assinado. Quando passou pela primeira vez na Casa, os deputados da oposição esvaziaram o plenário e não houve quórum para a votação Wanderson Nogueira (PSOL), deputado da oposição, afirma que, se aprovada, a lei vai criar uma situação inusitada: colocar as igrejas na frente dos próprios fiéis:

“É inadmissível. Não vejo o porquê de um privilégio da igreja até mesmo sobre seus fieis. Porque, por exemplo, muitos dos frequentadores das igrejas têm processos na Justiça. Eles vão acabar tendo seus processos ultrapassados na fila pelos processos destes templos. Ou seja, a Igreja vai passar à frente até mesmo de seu ‘acolhido'”, opina deputado.

O projeto foi aprovado em primeira discussão em junho e voltou à pauta em agosto. Na ocasião, por conta das polêmicas, foi retirado da Ordem do Dia a pedido do próprio autor, Fábio Silva (PMDB). Na justificativa do projeto, o autor compara sua proposta às leis que dão atendimento preferencial, em bancos e supermercados, a idosos e portadores de necessidades especiais. Afirma ainda que as igrejas são “o maior braço do estado, ajudando [por exemplo] na recuperação de viciados”.

Wanderson Nogueira, no entanto, ressalta que nem todas as igrejas prestam serviços de caridade:

“Por que colocar igreja na frente de entidades filantrópicas, por exemplo? Não são todas igrejas que dão este tipo de ajuda. Infelizmente, as principais discussões da Alerj no Estado, em meio a esta crise absurda, se referem a Bíblia e bala. Cada um tem direito à sua religião, mas não no parlamento”, protesta.

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