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STF julga se hemocentros podem rejeitar doações de gays

Foto: Flickr

Atualmente, hemocentros têm permissão legal para rejeitar doação de homossexuais

Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesta quinta-feira (19/10)  as normas da Anvisa e do Ministério da Saúde que autorizam hemocentros de todo o país a rejeitar doações de homens gays sexualmente ativos. Pelas regras vigentes, eles só podem doar sangue se ficarem 12 meses sem relações sexuais. As normas consideram que a população gay é “grupo de risco” para a transmissão de vírus como o HIV, e doenças como as hepatites B e C.

A ação direta de inconstitucionalidade que pede a suspensão imediata dessas regras foi apresentada em 2016 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). No texto, quatro advogados da legenda argumentam que as normas “escancaram absurdo tratamento discriminatório” em razão da orientação sexual dos doadores.

O advogado Rafael Carneiro, que falará no STF, em conversa com o G1, explicou que a anulação das normas não vai prejudicar a qualidade do sangue coletado nos hemocentros, mas garantir que o controle seja feito com base no comportamento sexual e não na orientação.

“A norma já proíbe a doação de pessoas ‘promíscuas’, que têm mais de um parceiro, que não usam preservativo ou que usam drogas.”

Segundo ele, o objetivo é acabar com os “os ranços discriminatórios” que ainda existem no ordenamento jurídico brasileiro e que perpetuam estigmas e a exclusão social dos homossexuais.

Doença de gays?

A AIDS, transmitida pelo vírus HIV, foi descoberta no final da década de 1970 e, por desconhecimento cientifico, batizada de “Imunodeficiência Gay”. A primeira norma brasileira que proibiu a doação de sangue por homens gays foi publicada em 1993, quando ainda pairava no imaginário coletivo a falsa relação causal entre a doença e a homossexualidade. Entretanto, as estatísticas mostram que a doença atinge pessoas que se descuidam da prevenção, seja heterossexual ou gay.

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