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PMs acusados de atirar contra turista na Rocinha prestaram depoimento

Marca de tiro em carro que transportava turistas/ Reprodução

Policiais afirmam que o carro não respeitou o pedido de parada. Guia do grupo de turistas afirmou que não viu os policiais.

Os dois policiais militares que são acusados de atirar no carro onde estava a turista espanhola morta por um disparo na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, passaram a madrugada desta terça-feira (24/10) prestando depoimento na Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Eles afirmam que o carro não respeitou o pedido de parada. O guia do grupo de estrangeiros afirmou que não viu os policiais.

Os depoimentos acabaram por volta das 5h. As armas dos dois foram recolhidas e passarão por uma perícia. O advogado do soldado afirmou que o tenente atirou contra o veículo e acabou matando a espanhola. Eles serão levados para o Batalhão Prisional da PM. O motorista que levava o grupo e também os donos da agência de turismo que vendeu os pacotes para os estrangeiros prestaram depoimentos na Delegacia de Apoio ao Turista (Deat), no Leblon, na Zona Sul. Eles foram ouvidos por 10 horas e, na saída, não quiseram falar com a imprensa. O corpo da estrangeira foi levado para o Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio.

Versões diferentes

A vítima e outros dois espanhóis foram à favela da Rocinha para fazer um passeio turístico, segundo os depoimentos deles realizados na Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat), no Leblon. O motorista, um italiano que mora no Brasil há 4 anos, disse no relato que deixou o grupo na parte alta da favela, acompanhados de uma guia turística.

Em seguida, o motorista desceu a comunidade e esperou ser chamado pela guia para buscar os visitantes. Ao ser contatado, foi ao encontro do grupo e, no caminho, chegou a ser abordado por PMs, que o liberaram ao checar que não havia nada de errado com o veículo. Depois que os turistas embarcaram no veículo, no Largo dos Boiadeiros, o profissional relatou que ele e os passageiros ouviram disparos. Assustado, ele acelerou o carro e, então, a turista foi baleada. Na versão dos militares, os PMs desconfiaram que o veículo poderia estar transportando bandidos da comunidade já que havia subido vazio.

A delegada titular da Deat, Valéria Aragão, disse que os depoentes sabiam que estavam numa favela, mas acreditaram que, por ser pacificada, estariam seguros na Rocinha. Segundo a delegada, o grupo relatou até se sentir mais seguro por encontrar policiais patrulhando as ruas da comunidade.

A delegada também fez um alerta sobre passeios turísticos no Rio e pediu cautela aos visitantes da cidade. De acordo com ela, será feito um estudo jurídico para determinar se será possível responsabilizar a empresa de turismo pelo ocorrido na Rocinha.

“O que não pode deixar de ser comentado, e é até um discurso da Polícia Civil há muito tempo, que é preciso ter cautela com os serviços distribuídos, sempre informar para que o turista faça a sua escolha. É uma questão de humanidade”, ressaltou a delegada.

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