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Após 7 anos, justiça libanesa devolve filha sequestrada à mãe brasileira

Claudia mostra passaporte da filha e foto que tirou com Gabriella quando a reencontrou no Líbano após meses de procura (Foto: Marcelo Brandt/G1)

Brasileira diz que ganhou passagem para resgatar filha

A brasileira Claudia Dias de Carvalho Boutros declarou nesta segunda-feira (06/11) que um empresário libanês de São Paulo se ofereceu para pagar a passagem dela para ir ao Líbano resgatar sua filha, sequestrada pelo ex-marido e pai da menina em 2010. A expectativa é que ela viaje em dezembro.

Gabriella Carvalho Boutros tinha 5 anos quando foi levada pelo também libanês Pedro Boutros de São Paulo ao Líbano. Atualmente, a garota mora com ele em Trípoli, onde aprendeu árabe e quase não fala português.

Em 2012, a Justiça brasileira já havia concedido a guarda definitiva de Gabriella a Claudia, por entender que a garota foi subtraída pelo pai. Mas somente em 13 de outubro deste ano que a Corte de Trípoli reconheceu esse direito e decidiu tirar de Pedro a guarda da filha e devolvê-la à sua mãe.

“O juiz presidente do ‘escritório executivo de Tripoli’ decidiu pela execução da sentença favorável à senhora Boutros, relativa à guarda da menor Gabriella Carvalho Boutros”, informa trecho do documento da Embaixada Brasileira no Líbano encaminhada ao Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores no Brasil.

A única condição para a entrega da criança é a de que Claudia viaje ao Líbano para recebê-la pessoalmente na Justiça de Trípoli.

Relembre o sequestro

Separado de Claudia, Pedro Boutros podia ficar com Gabriella quinzenalmente, aos finais de semana. Em 12 de março de 2010, ele pegou a menina, mas não a devolveu à mãe, que achou que havia acontecido algum acidente de trânsito com os dois e pediu para a polícia investigar o sumiço.

Em vez disso, o homem foi de carro com a filha até Foz do Iguaçu, no Paraná, entrou no Paraguai e pegou um avião até a Argentina. De lá, os dois seguiram em um voo até a França, onde embarcaram em outra aeronave até Beirute, capital libanesa.

Acionada, a Interpol (polícia internacional) descobriu para onde Gabriela foi levada e colocou as fotos do pai e da menina no site de procurados pela Parental Child Abduction (algo como sequestro de filho por um dos pais, numa tradução livre do inglês para o português). Se sair do Líbano, Pedro, atualmente com 49 anos, terá de ser preso para responder no Brasil pelo crime de ter levado Gabriella sem autorização da mãe. A menina, por sua vez, teria de ser repatriada. Entretanto, essa medida não vale enquanto pai e filha estiverem em território libanês. Como o país não é signatário da Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças, Claudia teve de pedir à Corte de Trípoli a devolução da guarda da filha.

Nesse período, a mãe conseguiu ver Gabriella por três vezes, duas delas autorizadas por Pedro sob a supervisão de uma pessoa da confiança dele. Em outra, sem o conhecimento do pai da menina, Claudia foi a escola católica  onde a menina estuda e convenceu a madre a deixá-la dar um abraço.

“Minha história é um drama que virou um pesadelo, que hoje eu acredito que vá se tornar um fato verídico de felicidade”, disse a mãe, que acrescentou ter certeza de que Gabriella quer voltar a morar com ela em São Paulo.

No Brasil, Claudia aguarda da decisão da Justiça brasileira sobre o pedido de R$ 2 milhões de indenização: metade contra o Estado, por deixar a criança sair do país sem passaporte,  e o restante contra o ex-marido.

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