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Polícia Federal investiga golpes aplicados por pastores evengélicos

Foto: Flickr

Em todo o país, cerca de 25 mil pessoas teriam sido vítimas dos golpes financeiros

A Polícia Federal (PF) identificou a atuação de pastores evangélicos para beneficiar uma organização criminosa investigada por golpes milionários que atingiram cerca de 25 mil pessoas em todo o país. A ação, parte da Operação “Ouro de Ofir”, deflagrada na terça-feira (21/11), investiga um grupo de uma instituição financeira clandestina, que prometia lucros exorbitantes às vítimas em negócios fictícios.

“A característica principal da fraude está em atingir a fé das pessoas e na sua crença em um enriquecimento rápido e legítimo, levando-as a crer, inclusive, que tal mecanismo seria um ‘presente de Deus aos fiéis’, ou seja, trazendo a fé religiosa para o centro da fraude (…) Muitas pessoas não estão interessadas em entender, pensar ou se informar – só estão interessadas em acreditar.” Afirma o delegado Guilherme Farias, em relatório.

Segundo a polícia, diversas narrativas foram criadas pela organização para enganar as vítimas. As investigações revelaram que os criminosos faziam uso considerável de redes sociais, como Facebook e, principalmente, o Whatsapp para transmitir informações sobre as “oportunidades” de negócio.

Apesar da existência de mais de uma narrativa, apenas dois crimes cometidos através de duas histórias foram alvos da operação. Um deles se refere a uma suposta família no Campo Grande (MS) dona de lucros sobre a venda de centenas de toneladas de ouro do tempo do Brasil imperial (1882-1889). Para repatriar os valores obtidos com os lucros, essa família teria um acordo com uma “Corte Internacional”, que colocaria uma condição: 40% do montante recebido pelos herdeiros no Brasil teriam de ser doados a terceiros.

Em outro golpe, as vítimas davam valores pela “recuperação de antigas letras do Tesouro Nacional”. O esquema era o mesmo: em troca de quantias de, no mínimo, R$ 1.000, eram prometidos às vítimas grandes lucros. Nos dois casos, as pessoas nunca receberam o que foi prometido. Há quem já tenha dado mais de R$ 20.000 ao grupo.

Um dos mentores desses golpes era Sidinei dos Anjos Peró, conhecido como “Dr. Peró”. Ele dizia ser juiz, mas possuía apenas uma carteira de identificação do Tribunal de Justiça Arbitral Brasileiro.

“Juiz arbitral é um cargo que não existe. Um árbitro existe em Câmaras de negociação, não é um cargo público. O que eles queriam era status”, afirma o delegado Guilherme Guimarães Farias, que conduz as investigações.

Segundo a polícia, Sidinei se associava a pastores para atrair fiéis das igrejas evangélicas. Os pastores entravam no golpe estimulando os fiéis a “investirem”.

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