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58 defensores de direitos humanos foram mortos em 2017 no Brasil, segundo Anistia Internacional

Foto: Flickr/ Reprodução

Casos foram registrados de janeiro a agosto, e maioria dos mortos estava envolvida em questões ligadas ao meio ambiente e à disputa da terra

Entre janeiro e agosto deste ano, 58 defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil. É o que aponta o relatório “Ataques letais, mas evitáveis: assassinatos e desaparecimentos forçados daqueles que defendem os direitos humanos”, divulgado nesta terça-feira (05/12) pela Anistia Internacional. Em todo o ano de 2016, foram 66 ativistas mortos no país.

“Na região das Américas, o Brasil é o país com o maior número de defensores de direitos humanos assassinados todos os anos”, diz Renata Neder, coordenadora de pesquisa e políticas da Anistia. “E os números vêm aumentando a cada ano”, completa.

De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, responsável pelo levantamento repassado à Anistia, a maioria dos 58 mortos era composta por pessoas envolvidas com questões ligadas ao meio ambiente e à disputa da terra, como indígenas e trabalhadores rurais sem-terra.

O documento também cita os ataques à comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Queer) e afirma que “o Brasil tem um dos maiores números de homicídios registrados de transgêneros no mundo, o que aumenta os riscos para ativistas transgêneros que reivindicam direitos humanos”.

De acordo com Guadalupe Marengo, coordenadora do Programa Global de Defensores de Direitos Humanos da Anistia Internacional, as mortes e os desaparecimentos relatados no documento foram, muitas vezes, precedidos de agressões anteriores “para as quais as autoridades fecharam os olhos ou até mesmo encorajaram”.

“Se os Estados levassem a sério suas obrigações, essas vidas poderiam ter sido salvas”, diz Guadalupe.

No mundo

De acordo com levantamento da ONG Front Line Defenders repassado à Anistia, cerca de 281 defensores de direitos humanos foram mortos em 2016 em cerca de 40 países, número maior que os registrados em 2015 (156 mortes) e em 2014 (136 mortes).

O relatório da Anistia traz números de países como Argentina, Colômbia, Honduras, Índia, Indonésia, Quênia, Mauritânia, México, República Democrática do Congo, Rússia, Síria, África do Sul e Sudão do Sul, mas nem todos têm dados atualizados até agosto de 2017. Na Colômbia, por exemplo, 51 defensores dos direitos humanos foram assassinados na primeira metade de 2017.

Desde a Declaração da ONU sobre Defensores dos Direitos Humanos, em 1998, cerca de 3.500 ativistas foram mortos em todo o mundo, segundo estimativa da Anistia Internacional.

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