Motorista invade calçada em Copacabana, atropela pedestres e mata bebê

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Atropelamento em Copacabana
Foto: Ian Cheibub/AGIF/Estadão Conteúdo

16 pessoas ficaram feridas. Homem foi detido e alega ter sofrido ataque epilético

Um motorista atropelou pedestres ao invadir o calçadão e a Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira (18/01). Um bebê de 8 meses morreu e outras 16 pessoas ficaram feridas.

Feridos

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, das 16 vítimas, nove com ferimentos mais graves foram levadas para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul da Cidade. Destas, três receberam alta na madrugada desta sexta-feira (19/01) e seis permaneciam internadas, uma delas em estado grave. As outras sete pessoas feridas foram socorridas no Hospital Souza Aguiar, todas com ferimentos mais leves, incluindo a mãe do bebê que morreu.

A vítima em estado grave é um turista australiano, segundo a Secretaria de Saúde. O homem, de 68 anos, sofreu traumatismo craniano e respira com ajuda de aparelhos.

Ataque epilético e CNH suspensa

O motorista foi detido e identificado como Antonio de Almeida Anaquim, de 41 anos. Ele foi levado para a 12ª DP, em Copacabana, e disse que perdeu o controle do carro porque “apagou” após sofrer um ataque epilético.

De acordo com o Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ), Anaquim está com a carteira de habilitação suspensa. Ele acumula 62 pontos por infrações e 14 multas nos últimos 5 anos.

O motorista foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) onde foi submetido a exame de alcoolemia. A perícia encontrou remédios para epilepsia no carro que ele dirigia. No momento do acidente, Anaquim estava acompanhado de uma mulher que, segundo a polícia, fugiu do local. Depois, ela se apresentou na delegacia e disse que saiu do local do atropelamento porque ficou assustada. Ainda segundo a polícia, a mulher confirmou em depoimento que o motorista sofreu um ataque epilético.

Bebê

Maria Louise, a bebê que morreu no atropelamento, passeava com a mãe, Niedja da Silva Araújo, e com a avó, que mora no Recife. O pai, o motorista Darlan Rocha, foi à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana e pediu a prisão do motorista.

“Quero Justiça, que ele fique preso. Não é para ter carteira de motorista nem estar dirigindo. Ele é um assassino. Matou minha filha”, afirmou.

Daris La Mar, de 40 anos, que tentou ajudar no resgate, conta que socorristas tentaram reanimar o bebê por 50 minutos:

“Quando cheguei no calçadão, havia muitas pessoas feridas e, quando me aproximei da mãe e do bebê, ela apenas falava: ‘Meu bebê! Cadê o meu bebê!!!’. Aí a avó me deu o bebê e falou: ‘Salva o meu bebê’. A primeira viatura que parou foi a Guarda Municipal e nos trouxe aqui”.

O acidente

Uma testemunha ouvida pela TV Globo diz que viu o veículo “voando” ao entrar no calçadão da praia.

“Na hora, ouvi um estouro. Olhei e era o vulto de um carro voando, na altura de uma pessoa, depois deu um baque no chão. Pegou um senhor e foi atropelando os carrinhos da praia. Levou no mínimo umas 15 pessoas, foi varrendo.”

O calçadão e a ciclovia, na altura da Rua Figueiredo de Magalhães, estavam cheios no momento do atropelamento, por volta de 20h30. Testemunhas tentaram agredir o motorista após o atropelamento, mas foram impedidas pela polícia.

Uma turista argentina ouvida pela GloboNews afirmou que o carro estava em alta velocidade. “Cadeiras voaram, não percebemos que era o carro até que as pessoas começaram a abrir e aí vimos gente caída no chão. Havia um bebê machucado”, disse ela. “Foi muito rápido, [o carro] veio muito rápido. Foi estranho, porque o trânsito estava lento”, contou.

[Atualização: 19/01 – 11h20 ]

Laudo comprova que motorista não bebeu

Exame feito pela Polícia Civil aponta que motorista não havia ingerido bebida alcoólica. Como não fugiu do local do acidente, Antonio responderá em liberdade por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.

O laudo afirma que Antonio estava desperto e se apresentou calmo para o exame, fornecendo respostas com clareza de raciocínio, pensamento bem articulado e orientação no espaço e no tempo.

Motorista escondeu ter epilepsia 

De acordo com o Detran-RJ, o motorista omitiu ter epilepsia para conseguir tirar a carteira de motorista. Segundo o órgão, pessoas com epilepsia podem ter CNH. No entanto, precisam passar por uma avaliação neurológica antes de tirar o documento, e o exame médico tem validade menor. Médicos costumam recomendar que pacientes epiléticos dirijam apenas quando apresentam um quadro controlado, ou seja, já não sofre crises.

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