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Vítimas de chacina em Fortaleza são enterradas – “Uma dor que vai ficar por toda a eternidade”, diz mãe

Foto: Gioras Xerez/ Reprodução

A chacina ocorreu em Cajazeiras, Fortaleza

As vítimas da chacina ocorrida no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, foram enterradas durante este domingo (28/01). A Perícia Forense do Ceará identificou todas as 14 pessoas mortas e liberou os corpos para as famílias.

Uma das pessoas assassinadas é a comerciante Mariza Mara Nascimento da Silva, de 37 anos. Ela foi atingida quando passava em frente ao local da festa onde ocorreu o massacre. Durante o enterro, no cemitério da Messejana, Sandra Nascimento Silva, mãe de Mariza, falou sobre a dor pela morte da filha. “Eu perdi a minha filha. Os filhos dela perderam a mãe. É uma dor que vai ficar por toda a eternidade”, lamentou.

“Ela passou em frente a esse evento e umas pessoas conhecidas. Ela é muito conhecida, muito querida, tinha muitos amigos. As pessoas chamaram ela para cumprimentá-la, dizer que ela estava muito bonita, como sempre faziam com ela. Foi na banquinha comprar um churrasco e quando voltou para falar com as pessoas, aconteceu esse ocorrido”, contou

Criminosos já haviam prometido ataque

Outra vítima foi  Antônio José Dias de Oliveira, de 55 anos, que trabalhava vendendo cachorros-quentes no momento do crime. Um dos filhos de Antônio, que não quis se identificar, comentou sobre o massacre durante o enterro do pai:

“Meu pai sempre trabalhou, nunca esperei que ele ia morrer dessa forma, uma brutalidade dessas. Eles (os criminosos) já vinham avisando, dizendo que iam invadir. Até que chegou um certo momento em que eles vieram e fizeram o que disseram”.

O irmão dele, de 12 anos, também foi baleado na coxa. Recebeu atendimento médico e passa bem fisicamente, mas está traumatizado pela morte do pai:

“Uma criança ver o pai morrer na frente dele. Só ele mesmo para dizer o que está sentindo, mas a gente vê que ele está em choque. Ele ainda não está acreditando”, afirma o irmão.

Vítimas da chacina

Oito mulheres e seis homens foram assassinados por um grupo que invadiu a danceteria “Forró do Gago” por volta de 1h30 (horário de Brasília) do sábado (27/01). Dentre as vítimas estão duas adolescentes, sendo uma de 15 anos e a outra de 17 anos.

Maíra Santos da Silva (15)
Maria Tatiana da Costa Ferreira (17)
Brenda Oliveira de Menezes (19)
José Jefferson de Souza Ferreira (21)
Raquel Martins Neves (22)
Luana Ramos Silva (22)
Wesley Brendo Santos Nascimento (24)
Natanael Abreu da Silva (25)
Antônio Gilson Ribeiro Xavier (31)
Renata Nunes de Sousa (32)
Mariza Mara Nascimento da Silva (37)
Edneusa Pereira de Albuquerque (38)
Raimundo da Cunha Dias (48)
Antônio José Dias de Oliveira (55)

A chacina dentro do clube de festa é considerada a maior do Ceará. Segundo um policial militar e moradores do bairro, vários homens armados chegaram em três carros, invadiram o local e dispararam tiros.

Outras 18 pessoas ficaram feridas e foram atendidas ainda no local do crime, ou encaminhadas para hospitais públicos da cidade. Na tarde deste domingo, quatro pessoas ainda estavam internadas no Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF) depois de passarem por cirurgias, enquanto um outro homem continuava internado no Hospital Edmilson Barros (Frotinha de Messejana).

O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, disse que as investigações ainda estão em andamento e negou especulações de que as mortes tenham relação com disputas entre facções. Segundo ele, a chacina foi “um caso pontual” e o “estado não perdeu o controle [do combate ao crime]”.

Um suspeito de participar do ataque foi preso ainda no sábado (27/01), portando um fuzil.

Investigações

Na tarde deste domingo (28), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), anunciou que outros cinco suspeitos do crime foram identificados. Três deles seriam mandantes do crime, enquanto os outros dois estariam diretamente envolvidos no massacre.

Santana também anunciou diversas medidas de combate às facções que atuam no Ceará. Uma delas é um centro integrado – que funcionará no mesmo ambiente – para “que a gente possa ter mais agilidade no combate ao crime organizado. Vamos integrar todas as ‘inteligências’ dessas instituições para unificar as estratégias, a investigação e a punição dessas pessoas”.

O governador também informou sobre a criação de um grupo especializado de combate ao crime organizado no âmbito da Polícia Federal no Ceará, a fim de que sejam fortalecidas as investigações sobre tráfico de drogas, de armas e proteção de fronteiras, por exemplo.

Além disso, Camilo Santana anunciou a criação de uma Vara, no âmbito da Justiça, especializada no julgamentos dos casos relativos ao crime organizado.

 

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